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Uvas de Clima Frio: Chardonnay
2 de setembro de 2019

Uvas de Clima Frio: Chardonnay

Conteúdo Técnico

Podemos arriscar dizer que a uva do nosso tema de hoje é a mais famosa entre todas as brancas. Amada por muitos, a Chardonnay nasceu do cruzamento natural entre as uvas Pinot e Gouais Blanc e veio ao mundo para brilhar, uma vez que conseguiu se adaptar a diversos terroirs (com solos e climas particulares) e às mais distintas formas de produção, como a fermentação malolática, amadurecimento sobre as borras (com ou sem bâttonage), fermentação em barricas ou mesmo versões jovens, com alguns vinhos mais econômicos. Um aspecto importante da Chardonnay é que ela é uma uva pouco aromática e esse é um dos motivos pelos quais adapta-se bem a essas várias técnicas de vinificação. No clima frio de Chablis, na França, a Chardonnay mostra alta acidez, corpo de leve a médio, notas de maçã e limão, com toque de mineralidade. Os melhores vinhedos são os Grand Cru e Premier Cru, localizados nas encostas, que estão em solos de marga Kimmeridgiana (solo de argila rica em calcário), o preferido dessa uva. Um dos diversos motivos que justifica a mineralidade da região é o fato do solo calcário ser pobre em nitrogênio. Essa baixa concentração estimula a produção de compostos sulfúricos no vinho, que são a fonte da mineralidade e quando vinificado de forma redutiva (sem contato com o oxigênio) pode gerar notas aromáticas que remetem à “mineralidade” como pedra molhada e pólvora. Alguns poucos exemplares podem apresentar notas da madeira, porém a maior parte dos produtores de Chablis prefere exibir os aromas primários da casta. A preocupação que se tem por lá é a possível geada de primavera e, consequente, diminuição do rendimento, já que é uma variedade com brotação precoce. Alguns locais com climas moderados produzem vinhos nos quais a Chardonnay se destaca e não podemos deixar de degustar, como os da região de Côte de Beaune (Borgonha, França), especialmente Meursault e Puligny-Montrachet que, devido ao clima, já mostra um perfil de frutas mais maduras e paladar mais carnudo quando comparado a Chablis, com destaque para melão e pera. É costume também a utilização frequente de madeira, mais um ponto que difere de Chablis. Outro clima frio de relevância para a Chardonnay é a região de Champagne, onde ela é usada de forma varietal ou em blends, onde contribui principalmente com acidez e álcool – este último devido ao fato de, comumente, acumular altos níveis de açúcar. Ainda na França, todavia em outro contexto, não poderíamos deixar de citar o evento histórico de 1976 – O Julgamento de Paris – que colocou a Califórnia no mapa de destaque da produção de vinícola, quando os vinhos da uva Chardonnay mostraram todo o seu potencial. Por sua versatilidade, essa uva se desenvolve muito bem pelo “Golden State”, regiões mais frescas como Sonoma Coast e Central Coast exibem vinhos robustos e minerais. Los Carneros também possui um terroir interessante para a produção de espumantes com essa casta. Outras regiões também mostram seu potencial, como Oregon, Washington State, Idaho, Texas, Virgínia e Nova Iorque. A costa do Vale de Casablanca, no Chile, com sua brisa marítima e a neblina provenientes do Pacífico refrescam o ambiente e originam vinhos com excelente acidez. Saindo completamente dos clássicos chilenos e sob o lema: “Um passo além”, a Ventisquero – cujos vinhos são importados pela Cantu – lançou o projeto Tara com a união dos três enólogos: Felipe Tosso, Sergio Hormazábal e Alejandro Galaz. Esse projeto audaz extrai do Atacama o que ele tem de melhor, as vinhas ficam em Huasco em um local próximo ao mar, que garante boas condições para o bom desenvolvimento da casta, cultivada em pé-franco. As altas altitudes de Adelaide Hills e as correntes oceânicas vindas do sul que atingem Yarra Valley, na Austrália, permitem que a Chardonnay triunfe. Uma região pouco conhecida no mundo do vinho é a Tasmânia, cujo clima frio e seco tem mostrado ótimo potencial para uvas borgonhesas Chardonnay e Pinot Noir. O volume produzido ainda é tímido, mas já se mostra uma área poderosa, um destaque especial é a premiada vinícola Tolpuddle. Assim como em Marlborough, na Nova Zelândia, Hemel-en-Aarde, na África do Sul, e nossa vizinha Patagônia, na Argentina, tem apresentado rótulos cativantes elaborados com Chardonnay. A Inglaterra tem revelado sua aptidão a cada safra na elaboração de espumantes. Um destaque do país é a vinícola Gusbourne Estate, ganhadora, por mais de uma vez, do título “Produtor Inglês do Ano”. As principais uvas cultivadas por eles são as francesas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier nas regiões Kent, Sussex e South West. O Vale dos Vinhedos, no Brasil, também é um lar de destaque para essa cultivar que é a principal uva branca autorizada nessa Denominação de Origem. Adicionalmente, a Chardonnay também origina vinhos doces interessantes elaborados com uvas atacadas por Botrytis cinerea nas regiões de Mâconnais, na França, e Burgenland, na Áustria, segundo o livro Wine Grapes. Essa uva, apesar de bem difundida, também precisa de cuidados: locais de climas quentes podem gerar vinhos com acidez baixa, que traz uma sensação de desequilíbrio no paladar. É notável a versatilidade de terroirs e estilos dessa famosa casta que ocupa a terceira posição no ranking de uvas brancas mais plantadas ao redor do globo: são aproximadamente 210 mil hectares espalhados por aí, segundo a OIV. É possível provar um Chardonnay diferente a cada dia e descobrir as diferentes facetas que ela pode exibir.

 

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