Blog

Fique por dentro das novidades que acontecem no
mundo dos vinhos e destilados!

Vinhos Fortificados
10 de abril de 2020

Vinhos Fortificados

Conteúdo Técnico

A variedade dos vinhos fortificados é bastante significativa. A história dos fortificados é longa, vem de milhares de anos. Para a história não se tornar extremamente longa por aqui, vamos já pular para o século XVII. Nessa época os ingleses adicionavam o álcool ao vinho com o objetivo de conservar a bebida durante as extensas viagens marítimas. No decorrer do tempo, o leque de estilos, qualidade e formas de elaboração aumentou consideravelmente. De aperitivos a boas companhias para harmonizar com sobremesas – a depender do estilo -, os fortificados são elaborados em diversos países e, acredite, são surpreendentes a cada taça.

 

Entenda alguns estilos:

 

  1. Porto (Portugal): com certeza é o fortificado mais conhecido do mundo. O estilo do Porto é reproduzido em vários países, mas, claro, sem o nome Porto. O grau de doçura desses vinhos depende do momento em que o enólogo interromper a fermentação. Uma diversidade de uvas são utilizadas, mas as mais comuns são: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Nacional e Tinto Cão. Os estilos variam dos mais jovens (como os da categoria Ruby) aos mais envelhecidos (Tawny), existem ainda os brancos e rosés, muito consumidos também em drinks.

 

  1. Moscatel de Setúbal (Portugal): fortificados elaborados com a uva Moscatel de Setúbal (também conhecida como Moscatel de Alexandria). A fortificação ocorre para interromper a fermentação alcoólica. Pode ser uma opção para substituir alguns fortificados que são muito caros.

 

  1. Madeira (Portugal): Mais um fortificado português, que usa principalmente as uvas brancas Sercial, Verdelho, Boal, Malvasia e Terrantez, além da Tinta Negra (que é tinta, como o nome já indica). O grande diferencial do Madeira é a forma como é envelhecido, por Estufagem, no qual o vinho é aquecido a uma temperatura entre 45 e 50ºC, por um período de, no mínimo, 3 meses. Depois permanece à temperatura ambiente por também, no mínimo, 3 meses. Em seguida podem ficar em inox ou madeira, à escolha do enólogo. O outro tipo de envelhecimento é o chamado Canteiro, que consiste em deixar o vinho em cascos de madeira em locais da adega onde as temperaturas são mais altas por, no mínimo, 2 anos. É um tipo de envelhecimento oxidativo. Os vinhos cujo o estágio é em Canteiro possuem maior valor agregado.

 

  1. Jerez (Espanha): Os estilos dos vinhos fortificados de Jerez variam principalmente devido à forma que são envelhecidos. Existem os que passam por envelhecimento biológico, no qual ocorre a formação de flor (um véu de leveduras que protege o vinho do oxigênio), como os Fino, Manzanilla e Pale Cream, sendo este último adocicado. Outros que passam por envelhecimento oxidativo, que ocorre na presença do O2, como o Oloroso, Cream e PX, sendo os 2 últimos vinhos doces. Existe também os estilos que passam pelos 2 tipos de envelhecimento, biológico e oxidativo, como Amontillado e Medium, sendo o Medium um estilo doce. Exceto o PX, todos os demais são fortificados após a fermentação terminar. As uvas autorizadas são: Palomino (ocupa a maior área das plantações de Jerez), Pedro Ximénez (PX) e Moscatel de Alexandria.

 

  1. Marsala (Itália): Os vinhos podem ser fortificados em momentos distintos da fermentação. As cores variam entre: rubi (Rubino), dourado (Oro) ou âmbar (Ambra). As uvas brancas usadas são: Grillo, Catarratto, Inzolia e Damaschino, para a elaboração do Oro e Ambra. Já as tintas permitidas para a produção do Rubino são Pignatello, Nero d’Avola e Nerello Mascalese. Para a elaboração do Oro, a bebida é adoçada com mistela (mosto de uva não fermentado e fortificado), caso seja adoçado com 1 a 2% de mosto chamado de cotto (mosto não fermentado que é cozido para ficar concentrado) já é classificado como Ambra. Existe uma outra categoria chamada Vergine, que é seco, amadurece oxidativamente e é o que mais se aproxima do Jerez Oloroso. Caso a idade seja de 10 anos ou mais, ele é classificado como Marsala Vergine Riserva. Existem também as classificações que estão ligadas à idade: Fine, Superiore e Superiore Riserva.

 

  1. VDN (Vin Douex Naturel – França): O nome pode enganar muita gente, mas na verdade todo vinho VDN é fortificado e o álcool é adicionado durante a fermentação alcoólica. O momento da adição determinará a concentração de açúcar no vinho (alguns poucos são quase fermentados completamente, mas a maioria tem uma doçura significativa). O Languedoc possui algumas Denominações de Origem onde são produzidos vinhos brancos que têm sua fermentação alcoólica interrompida pela adição de aguardente vínica. No caso das AOC`s que produzem VDN no Languedoc (Muscat de Lunel, Muscat de Mireval, Muscat de Frontignan, Muscat de Saint Jean de Minervois), o processo oxidativo é evitado e todas as regiões usam obrigatoriamente a uva Muscat à Petits Grains Blanc. Já no Roussillon existe produção de VDN tinto ou branco, dependendo das regras de cada AOC: Rivesaltes, Muscat de Rivesaltes, Maury, Banyuls e Banyuls Grand Cru. Esses também passam por interrupção na fermentação alcoólica e existem os estilos redutivos e oxidados (alguns até muito oxidados). No Rhône Sul, os 2 exemplos são dos vilarejos de Muscat de Beaumes de Venise (uva: Muscat à Petits Grains Blanc) e Rasteau que pode branco, rosé ou tinto, onde a Grenache se destaca. Em Rasteau os tintos e brancos VDN podem ser produzidos no estilo redutivo ou oxidativo.

 

  1. Rutherglen Muscat (Austrália): Eis que surge um exemplo do Novo Mundo. A uva utilizada na elaboração desse fortificado australiano é a Muscat à Petits Grains Rouge. Dependendo do estilo que se quer elaborar, as uvas ficam mais ou menos tempo na vinha (mais doce, mais tempo na videira). Alguns produtores colhem mais cedo por prezarem pelo frescor e outros deixam passificar para deixar o vinho com mais complexidade de aromas e sabores. O envelhecimento é oxidativo (em contato com o O2) para dar notas como nozes e fruta caramelizada, por exemplo. As classificações do vinho dependem do tempo que durou o envelhecimento.

 

+
04 Bactérias 270x270 - Série: Problemas nas Vinhas [ BACTÉRIAS ]
25 de setembro de 2018

Série: Problemas nas Vinhas [ BACTÉRIAS ]

Se comparadas aos fungos e vírus que atacam as vinhas, as bactérias são mais escassas. As doenças associadas a elas, porém, são as mais fatais que uma vinha pode sofrer. Uma das doenças mais frequentes é a cecídia, que ocorre quando a bactéria Agrobacterium tumefaciens, presente no solo, penetra a madeira da planta – que […]

continuar lendo
+
Agenda Setembro 225x270 - Agenda de Vinhos: Setembro
11 de setembro de 2018

Agenda de Vinhos: Setembro

Confira a agenda de eventos de vinhos que acontecerá em Setembro. 1.      Nome: WORKSHOP: BIODINÂMICOS (evento Eno) Data: 12 DE SETEMBRO – Quarta-feira Local: Rua Joaquim Floriano, 838 Valor: R$295,00 Informações: marketing@enocultura.com.br Release: Há uma tendência mundial ao controle de elementos químicos na plantação de uvas e na vinificação, tendo como pano de fundo um […]

continuar lendo
Assine nossa newsletter e fique por dentro das nossas novidades

Eno Cultura - Todos os direitos reservados © 2018