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Cuidados na Videira: Condução
7 de fevereiro de 2020

Cuidados na Videira: Condução

Conteúdo Técnico

Ao visualizar hectares e mais hectares de vinhedos bem arrumados e alinhados, é difícil imaginar que na verdade a videira é uma planta trepadeira que se for deixada livre cresce desenfreada, procura locais onde possa se fixar em busca da luz solar tão necessária para seu desenvolvimento.

A  poda e a condução são técnicas que caminham juntas para se ter uma boa administração da vinha no terroir onde ela se encontra e estimar o rendimento com uvas saudáveis e de boa qualidade. Sem dúvidas, a eficiência não seria atingida sem esses processos. Formas baixas de condução são interessantes para a videira se beneficiar do calor acumulado pelo solo, que auxilia no amadurecimento das uvas. Enquanto as formas mais altas são úteis para evitar as geadas.

Para simplificar, existem duas formas básicas de condução, que ajuda a guiar o tipo de poda:

  • Em cabeça: uma característica marcante é o fato de ter pouca madeira velha, que pode ser o tronco ou ainda braços curtos;
  • Em cordão: a quantidade de madeira velha é maior se comparado à condução em cabeça, pois além do tronco, possui um braço ou mais braços paralelos ao solo. Esse tipo por ter mais madeira velha, demora mais tempo para ser estabelecido. Porém , o fato de ter galho permanente (braço) costuma ser mais resistente para trabalhos mecânicos.

 

Um dos sistemas de condução mais usado no mundo é o Guyot (simples ou duplo), técnica desenvolvida por Charles Guyot, na década de 1860. Esse é um tipo de condução em cabeça na qual a parte da madeira velha se resume basicamente ao tronco. A madeira do ano forma o galho que pode ir para apenas um lado do tronco (Guyot simples) ou ter um galho de cada lado (Guyot duplo), que é normalmente amarrado em fios de treliça. Costumeiramente encontrada em regiões de clima frio, como a Borgonha, por exemplo. Esse sistema não é recomendado para locais que possuem solos muito férteis e/ou com variedades vigorosas, pois o dossel vegetativo (basicamente a parte verde da planta) irá crescer muito e possivelmente cobrir os cachos, dificultando o arejamento, impedindo a perfeita maturação, além de que esse dossel será responsável por deslocar muito da capacidade energética da planta para as folhas e não para os cachos.

O sistema Gobelet (que lembra o aspecto de um arbusto) geralmente é caracterizado por tronco curto que inicialmente é colocada uma estaca para dar sustentação. Ao longo do tempo essa estaca até pode ser retirada, pois como tronco estará grosso, a forma da videira já está definida sendo sustentada por esse tronco. É um tipo de condução muito usada em regiões calorosas da Espanha e também em outras áreas quentes e secas do Mediterrâneo, como Languedoc e Croácia, por exemplo. Como a vinha fica como um arbusto, é interessante conduzir dessa forma nesses locais para criar um sombreamento nas uvas e como não há problema com umidade, esse sistema pode tranquilamente ser usado. Não são utilizados fios e postes, que envolve um alto custo, porém a colheita deve ser feita manualmente, técnica trabalhosa e que demanda tempo.

 

Cordão é uma condução que assim como o tipo em cabeça  possui algumas variações que dependem de como a poda e as amarrações são feitas. Um muito conhecido no Brasil é a latada que é um sistema no qual a videira é deixada bem alta, com a parte verde da planta sombreando os cachos. É muito usada por aqui para a produção de uvas para suco, que visa alta produtividade e também para alguns vinhos finos, como na Serra Gaúcha e Vale do São Francisco. É possível encontrar essa condução na Argentina e alguns produtores do Vêneto (Itália) veem vantagens e estão retomando essa forma de condução. Assim como no Guyot, já citado, é possível estruturar para ter um cordão duplo (dois galhos) ou apenas um galho único, porém essa madeira não é do ano como no Guyot.

Esse conteúdo passou apenas por algumas formas de condução, porém existem muitas outras maneiras de direcionar o vinhedo para conseguir uma produção eficiente sob as condições impostas pelo terroir. Além do terroir, a própria variedade de uva ajuda a direcionar o tipo de condução e poda para assim ter um equilíbrio entre a parte verde, a parte lenhosa e as frutas. Outro fator que impacta na escolha é a disponibilidade de mão de obra humana e capacidade ou não de mecanizar de acordo com o declive do terreno, legislação local e vontade de produtor.

 

 

 

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